SOU TARUMANO, QUERO PAZ!

Neste 1º de Maio em todo o mundo se comemora o Dia do Trabalhador. Estamos acostumados a ver pelos meios de comunicação as comemorações festivas, promovidas até por entidades que, na prática, investem contra os direitos dos trabalhadores. Aqueles que, historicamente, têm resistido às mudanças propostas pelas organizações laborais (sindicatos, centrais sindicais, etc), apropriaram-se da data para dar um tom meramente “festivo”, deturpando o verdadeiro significado desta data. O Dia do Trabalhador é um dia de reflexão sobre as atuais condições de trabalho, as condições de vida da população de um modo geral.É um dia reflexão para a ação, ou seja, para atuarmos, como cidadãos e cidadãs conscientes, tendo em vista melhorar tudo o que vai contra a dignidade dos trabalhadores e do povo.
Este 1º de Maio vai ser diferente para os moradores do Tarumã, onde estão localizadas as comunidades do Campos Sales, Jesus me Deu, Parque Riachuelo, Comunidade São Pedro e adjacências. Organismos da Igreja Católica estão organizando a V Caminhada pela Paz, que terá como tema “Segurança, Justiça e Paz é a Gente que Faz”. É uma iniciativa necessária nessas localidades onde têm sido frequentes ocorrências de atos de violência com repercussão na cidade.
Sem citar nenhum caso em particular, proponho uma reflexão sobre a realidade com a qual nos deparamos.
Em primeiro lugar, queremos paz. E se queremos é porque nos tem sido negada. A negação dela ocorre por diversas maneiras: pela omissão e ineficiência do Estado, pela ausência de políticas públicas, pela corrupção – que provoca sangria nos recursos destinados justamente a execução dos serviços básicos reclamados pela sociedade. Portanto, as nossas batalhas cotidianas pela paz não se limitam – como alguns imaginam-, a buscar segurança com a presença de policiais na suposição de que a presença física deles eliminaria os casos de violência. Esta, por sinal, é apenas um sintoma de que a sociedade está doente e precisa ser tratada.
E o tratamento não requer apenas “polícia nas ruas”. Precisamos, por exemplo, de áreas de lazer, de escolas, de postos de saúde, de centros de convivência, e muitos outros serviços inexistentes, hoje, nas comunidades do Tarumã. Precisamos de transporte eficiente, de limpeza das ruas – muitas das quais há meses estão tomadas por mato e lixo-, dentre muitas outras demandas. Precisamos, sobretudo, de oportunidade para grande parte dos comunitários que estão sobrevivendo de subemprego e de atividades informais.
Neste 1º de Maio, portanto, vamos levantar a bandeira da paz de forma cada vez mais organizada e consciente. Não basta apenas querer. É preciso entrar nas batalhas pelos benefícios demandados pelas nossas comunidades sem esperar, por exemplo, que político “a” ou “b” venha nos socorrer. Para não nos decepcionarmos ainda mais com eles, vamos fazer isso com as próprias mãos: a PAZ não é um sonho distante. É uma conquista diária.

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