Criança indígena na UTI aguarda providências da Casa do Índio

A saúde do menino indígena marubo Mardson Júnior da Silva Duarte está dependendo de providências urgentes por parte da Casa de Saúde Indígena – Casai. Com pouco mais de um mês de vida, o menino está internado desde o primeiro dia de agosto na Unidade de Terapia Intensiva – UTI, da maternidade do Alvorada – Zona Oeste de Manaus-, onde chegou apresentando um quadro bastante crítico.

A direção da maternidade informou que já encaminhou as solicitações para exames, inclusive uma tomografia computadorizada, mas até agora não houve resposta. De acordo com a assistente social da Casai Lucicléia Balieiro, a demora decorre de problemas com o Sistema de Regulamentação – Sisreg, do Sistema Único de Saúde - SUS, para liberação dos exames. “Se não tiver como fazer os exames pelo SUS, a Fundação Nacional de Saúde – Funasa se responsabiliza pelo pagamento dos exames na rede particular”, garantiu Lucicléia Balieiro.

Enquanto a liberação dos exames segue lentamente, a preocupação aumenta para a avó de Mardson, Amélia Barbosa da Silva. Ela já não pode mais ficar na maternidade com o neto. A mãe, uma adolescente de 14 anos, não pôde acompanhar o filho e encontra-se agora na aldeia Maronal, no município de Atalaia do Norte – distante de Manaus, a capital do Amazonas, 1.360 quilômetros em linha reta. Na maternidade Amélia foi informada que a criança deverá ser transferida para outra unidade de saúde devido ao reduzido número de leitos, mas isso também depende de providências por parte da Casai.

“Não quero ficar aqui esperando oito meses ou mais, como outras pessoas que estão na Casa do Índio”, protesta Amélia. Ela tem observado que indígenas de outros povos estão ali internados há vários meses, sem perspectiva de liberação para retorno às suas aldeias de origem.

A situação do menino Mardson, de fato, é uma entre dezenas de outras situações dramáticas para muitos indígenas. Isso tem acontecido devido à morosidade e até mesmo ao descaso com que a saúde indígena vem sendo tratada pela Funasa. Ele veio da região do Vale do Javari, onde endemias como hepatite e malária – para as quais faltam ações concretas e políticas públicas eficientes-, resultam na morte de dezenas de indígenas a cada ano.

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