Indígenas fogem da terra para se livrar de agressões

Boa Vista (RR) - Roraima continua um barril de pólvora. Em março, o Supremo Tribunal Federal – STF, julgou improcedente as ações que pretendiam revogar a demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol, pondo fim a agressões e violações dos direitos dos indígenas daquela localidade que perduravam por mais de 30 anos. Novos conflitos entre agricultores e indígenas voltaram a ser notícia, desta vez na região da Serra da Moça, na comunidade denominada Lago da Praia.

No dia 27 de julho passado, um grupo de moradores do Projeto de Assentamento “Nova Amazônia” portando armas invadiu comunidade Indígena do Lago da Praia. De acordo com informações divulgadas pela Pastoral Indigenista de Roraima e Conferência de Religiosos do Brasil – CRB/RR, nos últimos três meses a comunidade tem sido invadida supostamente por moradores do assentamento, que destruíram plantações e mataram animais criados pelos indígenas - como porcos, galinhas e parte do gado. Ainda segundo as entidades, um grupo “interditou a estrada que dá acesso à comunidade, queimou a escola estadual indígena João Gomes de Sousa e o posto de saúde com todos os equipamentos, remédios e radiofonia que dava suporte de comunicação à comunidade”.

Três moradores do assentamento foram apontados como responsáveis pelo incêndio de sete das dezesseis casas, pelo seqüestro de duas mulheres, ameaças de morte e espancamento várias pessoas. Segundo relato das vítimas os invasores ameaçaram “matar e esquartejar crianças indígenas só para dar uma lição”.

“As ameaças foram tão fortes que todos os moradores da área tiveram que fugir sem levar nada: nem roupa nem comida”, relatam a Pastoral Indigenista de Roraima e a CRB que sustentam: “Várias denúncias e depoimentos foram feitos na Fundação Nacional do Índio – Funai, nas Polícias Civil, Federal e Militar e no Ministério Público Federal sem nenhum resultado positivo”. Nenhum dos acusados pelas agressões foi punido.

Notícia divulgada pelo website do Conselho Indígena de Roraima – CIR, dá conta que No dia 29/07 as vítimas foram à Boa Vista - capital de Roraima-, para denunciar as agressões à Polícia Federal . No entanto, umas das vítimas, o indígena, Juliano Pereira da Silva, passou de denunciante à condição de preso.

De acordo com Dionito José de Souza, coordenador CIR, as 14 famílias expulsas do Lago da Praia estão abrigadas nas comunidades de Truaru da Serra e Morcego. O CIR está buscando entendimento junto com a Funai, Ministério Público Federal e Instituto de Colonização e Reforma Agrária – Incra, para assegurar o retorno dos indígenas à sua terra. Alguns moradores do assentamento “Nova Amazônia” são ex-ocupantes de posses na terra indígena Raposa Serra do Sol e estariam agindo sob influência de um rizicultor – que também era ocupante daquela terra indígena-, como retaliação.

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