Governo peruano quer dissolução de organização indígena

O governo peruano pediu à Procuradoria Geral para dissolver a principal organização indígena do país, porque seu presidente, Alberto Pizango, em maio passado apelou para a insurgência ", disseram promotores na quinta-feira.

Pizango, agora exilado na Nicarágua, conclamou ao povo peruano a reagir aos pacotes de leis que abrem as terras de indígenas e camponeses à exploração por multinacionais de vários países, inclusive do Brasil.

Essa inicioativa levou a procuradora Maria del Carmen Rivera em sua petição pedir a dissolução da Associação Inter para o Desenvolvimento da Floresta Peruana (Aidesep), de acordo com documentos da acusação.

"Pizango disse que aplicará as leis ancestrais de seu povo em detrimento da legislação nacional em vigor para evitar a entrada de qualquer força fora do seu território", assinalou.

A promotoria convocou os líderes da AIDESEP para 5 de novembro.

Saul Puerta Peña, secretário nacional da Aidesep, negou pedido de uma declaração de Rivera e observou que a notificação da acusação "é uma má notícia para os povos indígenas".

"Nesta situação, o Conselho de Administração chamou a Apus (líderes) da Amazônia, em uma reunião de emergência para analisar, discutir e determinar a decisão a ser tomada, porque os povos indígenas não podem dar ao luxo de procurar silenciar sua voz", acrescentou.

Ele disse que "enquanto as pessoas procuram reconciliação entre peruanos, hoje somos surpreendidos porque a mera intenção de fechar a Aidesep é um ato de discriminação contra os índios."

A AIDESEP foi acusado em junho, de levar o protesto dos índios da Amazônia que resultaram em confrontos com a polícia na região amazônica de Bagua, com o saldo de 34 mortos, incluindo 24 policiais.

Vários dirigentes liderados por Pizango foram acusados de crimes de motim, sedição e rebelião, assim que ele se refugiou na Embaixada da Nicarágua, em Lima.

Em 17 de junho, Pizango foi a Manágua depois de receber um passe de o governo peruano a deixar o país. Depois, seguiram outros dois líderes.

Na quinta-feira a Federação Internacional dos Direitos Humanos (FIDH) pediu celeridade no diálogo entre o governo e organizações indígenas da Amazônia como um passo para um reconciliação depois de protestos que teve um saldo de 34 mortos em junho.

Fonte: http://redtrifronte riza.blogspot. com

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