Indígenas ocupam terreno na Zona Norte de Manaus

Cerca de 250 famílias indígenas, ao lado de outras 200 de não indígenas, estão ocupando desde o dia nove de janeiro passado uma área denominada Comunidade São Pedro 2, no bairro do Tarumã, Zona Norte de Manaus (AM). Elas são de pelo menos oito povos diferentes  e não têm onde morar ou vêm de áreas distantes, na periferia da cidade, onde tem vivido em circunstâncias extremamente penosas.
É o caso de dona Rosileide Pinto da Silva, uma Kokama que há vários anos mora em uma casa cedida no bairro Grande Vitória, na zona Leste da cidade. A casa foi construída na beira de um barranco muito e, sempre que chove, causa temor a ela e seus sete filhos. “Nós temos medo de sermos levados se houve um deslizamento, como já ocorreu em outro ponto da periferia há alguns meses atrás”, diz Rosileide.
Segundo Sebastião Castilho Gomes, um dos organizadores da ocupação, 14 famílias Kokama  estão aguardando há quase dois anos pelas casas prometidas pelo Governo do Estado do Amazonas. A  promessa  foi feita por ocasião da retirada dos indígenas de outra ocupação no local chamado “Lagoa Azul”, também na Zona Norte de Manaus. “O representante da Suhab (Superintendência de Habitação do Amazonas) prometeu entregar casas para os indígenas mas isso não aconteceu. Eles prometeram, de novo, entregar até o final de fevereiro agora e nós vamos aguardar aqui”, afirma Sebastião.
A assessora de comunicação da Suhab, Jaqueline Farah, confirmou que está prevista a entrega de casas para o final de fevereiro, mas não garantiu que os indígenas serão beneficiados. “Eles não receberam as casas ainda porque a Suhab não entregou nenhum conjunto habitacional até agora”, informa a assessora do órgão.
Entre os ocupantes da área encontram-se cinco pacientes da Casa do índio – Casai, localizada  no quilômetro 15 da rodovia AM-010, gerenciada pela Fundação Nacional de Saúde – Funasa. A maioria está em tratamento há vários anos e há, entre eles, um jovem de 19 anos que estava na Casa como acompanhante e tornou-se paciente. Abimael Feitosa, Kaxinawá, está ocupando um barraco juntamente com sua mãe e pai, que está internado para tratamento de uma doença crônica há seis anos.
Os líderes da ocupação afirmam que só sairão dali quando tiverem moradia assegurada.  Twook Miranha denuncia que nem o Governo Federal ou Estadual têm política de moradia para os indígenas dos centros urbanos. “Centenas de famílias já receberam casas do “Programa Minha Casa, Minha Vida”, mas nenhum indígena foi contemplado”, protesta Twook Miranha.
Os indígenas são dos povos Kokama, Mura, Apurinã, Sateré Mawé, Kanamari, Miranha, Kaxinawá e Kulina. 

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