Em Manicoré, Amazonas: Funcionários da Funai detidos até audiência com Márcio Meira

Abertura de um canal de diálogo respeitoso com a presidência da FUNAI; criação de uma Coordenação Regional da FUNAI em Manicoré com autonomia financeira e administrativa e que o titular dessa Coordenação seja indicado pelos indígenas da região são as principais reivindicações dos indígenas do município de Manicoré à presidência da Fundação Nacional do Índio – Funai.

Desde segunda-feira, 17, estão sob poder dos indígenas Domingos Sávio dos Santos, Pedro Nazareno Oliveira da Silva e João Melo Farias, servidores da Funai de Humaitá e Manaus. “Eles continuam retidos na aldeia e só vão sair de lá quando a direção do órgão, em Brasília, atender nossas solicitações”, diz Messias Dias Ferreira (Mura). Ele é professor na aldeia Ponta Natal, localizada no rio Mataurá, afluente do Madeira, no município de Manicoré (AM), distante da capital cerca de 330 quilômetros em linha reta.

De acordo com o coordenador regional da Funai em Manaus, Edgar Fernandes Rodrigues, no próximo sábado, 22, o presidente Márcio Meira estará na cidade de Humaitá e lá pretende atender uma comissão formada por lideranças indígenas para buscar uma solução.

Reação – A decisão de deter os funcionários da Funai pelas lideranças indígenas de Manicoré foi tomada durante a X Assembléia Geral da Organização dos Povos Indígenas Torá, Tenharin, Apurinã, Mura, Mundurucu, Parintintin e Pirahã, realizada de 16 a 18 de maio na aldeia Ponta Natal, no rio Mataurá. Cerca de 200 indígenas participavam do evento que foi promovido pela Organização dos Povos Indígenas Torá, Tenharin, Apurinã, Mura, Mundurucu, Parintintin e Pirahã – Opittamp.

Eles haviam mantido encontro com o presidente da Funai, Márcio Meira, em Manaus, no dia 14 de maio, e entregaram a ele na ocasião um documento contendo reivindicações para, dentre outras medidas, criar uma coordenação regional da Funai na cidade de Manicoré e não em Humaitá, também localizada ao sul do Amazonas, na região do rio Madeira.

Os indígenas argumentam que em Manicoré existem 44 aldeamentos indígenas; Sete povos indígenas; uma população superior e 3.500 indígenas e oito terras Indígenas demarcadas e outras 13 em processo de identificação e reconhecimento, localizada em sete calhas de rios diferentes. “Os indígenas ficaram revoltados porque não foram consultados nem ouvidos no processo de reestruturação da Funai, por isso estão retendo os servidores”, disse Edgar Fernandes.

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