Pobre Serra...

Direito do enforcado é espernear. Disso o povo já sabe. E sabe o povo também que o Brasil que dá certo hoje, que cresce e gera emprego, é muito diferente daquele dos tempos em que os “tucanos” (coitada da ave!) sobrevoavam com soberba as altas esferas do poder. Bem que a Globo e outros meios de comunicação tentaram vender a idéia de que a candidata do presidente é do tipo megera, cuja imagem “não emplaca” no imaginário do eleitor.
Ledo engano. Ela começa a alçar vôo mais alto que a tucanagem pessedebista.
Até porque o que está em jogo nesta eleição não é se Dilma é carrancuda e Serra está na vez. A disputa se dá em torno de um mesmo modelo de desenvolvimento com dupla face: de um lado da moeda, um modelo subserviente aos interesses do grande capital multinacional. O PSDB entregou quase todo o patrimônio brasileiro a grupos privados de várias nacionalidades, fazendo o jogo das corporações transnacionais que não têm cara, cor, crença ou lastro de ideologia que não seja a do lucro a qualquer custo.
Ou seja, Serra é o ícone desse modelo entreguista. Não faltam exemplos, seja pelas ações do antecessor de Lula, o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, seja por algumas demonstrações de como o governo de Serra se relacionou com seus opositores nos últimos quatro anos.
Na outra face da moeda, temos uma experiência de oito anos que em nada se compara ao antecessor, a não ser pela maneira ortodoxa como conduz alguns aspectos da política econômica. Precisamente porque continua sobrevalorizando o grande capital e deixando à margem as formas tradicionais de economia de vários setores da sociedade. Mas a economia voltou aos trilhos do crescimento (na perspectiva capitalista) , superando crises e tapando os buracos deixados pelos outros.
Então, Serra, por enquanto, só tem direito de espernear – já que as pesquisas começam a mostrar que o rumo das eleições não é para a direita conservadora e entreguista. “Não tenho esquemas, não tenho padrinhos, não tenho esquadrões de militantes”, disse ele recentemente, conforme amplamente divulgando pela imprensa brasileira. Sobre os esquemas, não vale a pena comentar. Quanto aos padrinhos, ele está mentindo. Seus padrinhos são poderosos: os grandes banqueiros, latifundiários e grande parte dos meios de comunicação. Agora, quanto aos esquadrões de militantes, pode ser verdade: como não tem nenhuma base entre os segmentos populares, não tem nenhum voluntário que digne a empunhar as bandeiras do velho capitalismo selvagem que ele representa.
E vamos nós, esquadrões de militantes dos movimentos sociais, defendendo novas e antigas reivindicações. Não temos alternativa, nesse momento, senão tentar escapar de um castigo pior, de um retrocesso que comprometa os poucos avanços conquistados nos últimos oito anos.

Comments