COMEÇA MOBILIZAÇÃO CONTRA BELO MONTE EM ALTAMIRA

A quem realmente interessa a construção da hidrelétrica de Belo Monte? Como a população local enfrentará as consequências dessa obra? Para refletir sobre estas e outras questões que envolvem a hidrelétrica, cerca de 500 pessoas de movimentos sociais de várias regiões do Pará e de outros estados da Amazônia estarão reunidos de hoje até a rpóxima quinta-feira, 12, na cidade de Altamira (município localizado no sudoeste do Pará, a 454 quilômetos da capital, Belém).
Nas primeiras horas da manhã de hoje a paisagem da cidade começou a mudar. Na orla, onde vão acontecer os debates do acampamento "Em Defesa do Xingu, Contra Belo Monte", aos poucos chegavam os primeiros participantes. Indígenas, ribeirinhos e trabalhadores rurais começaram a montar acampanhmento improvisado de madeira, cobertos com lona azul.

"É muito triste ver o que estão querendo fazer com as nossas comunidades e com nossos filhos", dizia um dos participantes. "Estão querendo mudar o curso do rio, construir uma obra muito grande que não vai fazer bem ao Xingu. Se fosse para beneficiar nós, daqui, não precisava ser tão grande", reclamava ele.

A construção da hidrelétrica está prevista pelo PAC - Programa de Aceleração do Crescimento, do Governo Federal e custará em torno de R$ 19 bilhões, segundo as primeiras estimativas oficiais. A área inundada afetará diretamente nove povos indígenas, além de comunidades ribeirinhas e agricultores familiares.

A reação das populações tradicionais contra a construção da barragem - que inundará uma área de mais de 500 quilômetros quadrados para gerar pouco mais de 11 mil megawatts de energia elétrica, tem custado ameaças de morte a várias personalidades da região, como o bispo da Prelazia do Xingu, Dom Erwin Krautler e a coordenadora do Movimento Xingu Vivo Para Sempre, Antônia Melo.

A abertura do evento acontece hoje (09/08/2010) à noite no auditório da Paróquia de São Sebastião. O evento é promovido pela Coiab - Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira; Articulação dos Povos Indígenas do Brasil - Apib; MAB - Movimento de Atingidos por Barragens; Via Campesina; Movimento "Xingu Vivo para Sempre"; Cimi - Conselho Indigenista Missionário.

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