Em Homenagem às Mulheres: Cia Pombal leva “Cunhã” ao palco do Sinttel nesta segunda-feira

Monólogo apresentado pela atriz Ana Paula Tariano, em substituição a Maria Eva Tariano, conta a estória de uma indígena que brilha na cidade grande, mas tem sua identidade perdida no turbilhão do mundo urbano.  A entrada custará um quilo de alimento não perecível.

Cunhã, Filha de Yepa”, é o título do espetáculo que será apresentado nesta segunda-feira, 28/02, às 19 horas, no auditório do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Amazonas – Sinttel-Am (Rua Alexandre Amorim, 392 – Aparecida, em frente à Igreja Católica), antecipando a comemoração do Dia Internacional da Mulher, oito de março, que neste ano será em plena terça-feira de carnaval.  De autoria de José Ribamar Mitoso e Luiz Vitalli Montrezol, a peça foi apresentada em novembro do ano passado durante o V Fórum Social Pan Amazônico, em Santarém (PA), e será exibida no dia cinco abril no Festival de Teatro de Curitiba (PR) pela Companhia Pombal.
“Cunhã...” conta a estória de uma amazônida cujo itinerário de vida confunde-se com a de outras indígenas, ribeirinhas, negras ou trabalhadoras dos grandes centros urbanos. Nas palavras de um dos autores, José Ribamar Mitoso, “ela não é mais apenas uma artista e mulher, etnicamente marcada, lutando com os valores do seu povo da floresta para sobreviver na selva de pedra. Mas uma mestiça indígena-cabocla, que perdeu seus valores para a industrialização de Manaus nos anos 60, 70 e 80 do século XX e que, agora, na transição para o século XXI, tenta recuperar valores da tradição milenar da floresta para viver numa cidade industrial, frenética corrupta, mas dentro da mata”.
Ela é uma “bayaroá”, uma artista indígena-cabocla que começa a história com estes valores das culturas arawak, dashé, tupi, maguta, yanomami e latina renascentista, perde-os para os valores do capitalismo industrial, com a instalação do pólo multinacional da Zona Franca, mas recupera-os com o fim da globalização e início da retomada das identidades regionais na Ásia, África e America Latina. 
Cunhã , ao final, mesmo retomando uma identidade regional, universaliza-se, pois , na verdade, serve de modelo para outros povos oprimidos, em outras regiões do planeta, recuperarem, renovadamente, seu caminho interrompido pela ética interesseira e antihumana do capitalismo globalizado em busca da dominação de novos mercados e da escravização de novas mentes.
A programação do Sinttel em comemoração ao Dia Internacional da Mulher consta ainda da exibição de um vídeo produzido pelo Conselho Indigenista Missionário – Cimi, sobre os impactos de grandes projetos na Amazônia. Ao final da apresentação da peça haverá debate sobre as lutas e desafios do movimento de mulheres no Amazonas.

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