Indígenas organizam-se na comunidade Nossa Senhora do Livramento



União. Esta é a palavra de ordem das mais de 140 famílias indígenas que moram na comunidade Nossa Senhora do Livramento, no rio Tarumã – localizada a cerca de dez quilômetros da cidade de Manaus(AM). Eles são Baré, Mura, Tukano, Tariano, Dessano, Deni, Apurinã e Miranha – povos originariamente do Alto Rio Negro, Médio Solimões, rios Purus e Madeira que migraram para Manaus em busca de melhores condições e acabaram se estabelecendo no local.
No último domingo, 13/02, cerca de cem moradores reuniram-se no centro comunitário da União dos Povos Indígenas de Livramento, Tarumã Mirim e Tarumã Aço – Upilta, para discutir estratégias de fortalecimento da organização e da comunidade, bem como para planejar a festa comemorativa da Semana dos Povos Indígenas. Na reunião estiveram presentes representantes do Conselho Indigenista Missionário – Cimi Norte I.
A festa vai acontecer de 21 a 23 de abril e reunirá indígenas de Manaus e de várias comunidades dos rios Negro e Tarumã. A programação consta de apresentação de danças tradicionais, campeonatos esportivos, dentre outras atividades. Uma das atrações será a banda Salazar – único grupo musical não indígena convidado para o evento.
De acordo com o cacique Astélio Martins Thomás, também coordenador da Upilta, os indígenas estão buscando desenvolver projetos de sustentação econômica uma vez que a maioria deles não tem emprego e vem contando, há algum tempo, com auxílio do poder público. O turismo, segundo ele, é uma das atividades que a organização está incentivando na busca por auto-sustentabilidade.
Histórico - A comunidade Nossa Senhora do Livramento foi fundada em cinco de agosto de 1973, por pessoas ligadas ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais. O primeiro indígena a se fixar na comunidade foi o Baré Silvano Thomás.
Ele conta que saiu de sua aldeia, no município de Santa Isabel do Rio Negro, e morou em Manaus de 1975 a 1983, quando, então, passou a morar na comunidade Nossa Senhora do Livramento. Durante muitos anos ele foi o professor na escola do local e hoje se dispõe a contribuir com o fortalecimento da identidade étnica ensinando o Nheengatu (língua geral). Essa língua surgiu no século XVII na Amazônia, criada por missionários como forma de facilitar a comunicação entre os povos indígenas e não indígenas, em razão da diversidade de línguas existentes na região. 

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