Viva o capitalismo e a “sustentabilidade” dos colonizadores

A grande imprensa manauense vive momentos de êxtase e euforia. Fartos são os comentários ufanistas do mega evento que se realiza na capital amazonense de hoje até o próximo sábado.  Arnold Schwarzneger, o exterminador do futuro – e só agora eu começo a entender a razão do título -, James Cameron, Bill Clinton e algumas “estrelas” da política local, estarão reunidos 2º Fórum Mundial de Sustentabilidade, que acontece no Hotel Tropical.
O fórum será um espaço para discutir saídas que proporcionem melhor aproveitamento do meio ambiente para todos os tipos de investimentos, sobretudo de grandes empresas transnacionais. Com aval do governo brasileiro, por meio do Ministério do Meio Ambiente, ali estão reunidos empresários, políticos, dirigentes de órgãos governamentais e algumas Organizações Não-Governamentais – ONG’s  para tratar do “valor econômico, ambiental e social da floresta”.
Mais uma vez, a Amazônia e seu patrimônio são temas para discussão a partir da ótica puramente mercantilista. O referido evento, além de ser um bom negócio para as empresas que o organizam, propõe-se a discutir essencialmente formas de explorar os recursos naturais de forma a combinar o saque das riquezas locais com a aparência de preservação ambiental. O conceito de “sustentabilidade” largamente empregado parece estar vinculado apenas à manutenção da saúde financeira dos empreendedores.
Os povos da Amazônia, sobretudo os povos indígenas, ficaram de fora. A sociedade civil da região não foi convidada. Sobrou para uma elite provinciana o papel de expectadora, com direito a bater palmas para os astros de lá e de cá. Não apareceu, ainda, quem se proponha a questionar que tipo de “sustentabilidade” estará em pauta. Isso, sem falar de outros temas, como políticas governamentais que vão na contramão da preservação e da falta de iniciativas concretas para conter desastres ambientais e sociais provocados pelas mudanças climáticas -  esse que é um dos maiores dilemas da humanidade nos dias de hoje.
E só assim se explica a razão da exclusão dos povos da Amazônia. Se é para discutir formas de explorar e gerar lucros com a exploração dos recursos da floresta, não há de fazer sentido convocar os indígenas, ribeirinhos, trabalhadores rurais e outros segmentos da população amazônida porque estes querem, na verdade, um novo parâmetro de desenvolvimento que não veja a região apenas como uma mina a céu aberto para ser explorada de qualquer jeito e por quem não tem compromisso algum com a vida aqui e no resto do mundo.

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