O DESCASO COM AS DENÚCIAS DE VIOLÊNCIA CONTRA A CRIANÇA EM MANAUS

Publico nas linhas seguintes o relato chocante da amiga Marklize Siqueira, onde ela expõe o tratamento dispensado por alguns órgãos do poder público a uma cidadã que buscou apoio para evitar violência, neste caso,. contra  uma criança na Zona Leste de Manaus. 



"O que venho compartilhar com vocês talvez seja um caso específico, mas aconteceu neste mês junho com minha mãe ao “tentar” realizar uma denúncia que envolvia violência contra criança.

Este caso tem como vítima uma criança de 5 anos que mora no bairro Tancredo Neves, rua Dalva de Oliveira, n◦10. A criança é constantemente espancada por um período longo pela sua própria mãe, e, outras vezes, pelo padrasto. Em geral, após os espancamentos, os (ir)responsáveis se arrumam para sair e deixam a criança trancada, ou seja, com as janelas fechadas e com cadeado na porta, e demoram cerca de 4 a 5 horas para retornar. Não é possível verificar as condições nas quais a criança fica, se a mesma tem comida e água para se servir.

No cotidiano a criança em questão é agredida verbalmente com expressões do tipo “seu merda”, “seu desgraçado”, “vai pra P. que (te) pariu, menino”, “filha da p.”, entre outros. As brincadeiras de criança não lhe são permitidas, pois é proibida de sair de casa. Esta criança apresenta um aspecto triste e com sinais de desnutrição. Os vizinhos sabem da situação, mas tem medo do padrasto, pois dizem que denunciar não adianta.

Porém, no feriado do dia de Corpus Christi (23/06/2011), aconteceu algo diferente. Neste dia a “mãe” passou um longo tempo espancando a criança, até que cessou os gritos e ouvia-se apenas soluços sem choro, e a “mãe” continuando a bater. Após um tempo, os (ir)responsáveis (mãe e padrasto) foram à igreja deixando a criança trancada de 9 as 13h.

Agora começa a tentativa de minha mãe recorrendo às autoridades “competentes” para que seja tomada alguma providência em relação ao caso.

Neste dia ligou para a POLÍCIA e relatou o acontecimento, pedindo que viessem verificar em que condições estava a criança, se viva, morta ou com ferimentos. A resposta dada foi que somente poderiam atender se tivessem um mandato judicial e pediu para procurar o Conselho Tutelar.

Seguindo a orientação da POLÍCIA ligou para o CONSELHO TUTELAR DA ZONA LESTE II, mas foi inútil, ninguém atendeu. Na segunda-feira (27/06), pela manhã, foi ao referido CONSELHO TUTELAR. Estes registraram a denúncia, mas disseram que somente iriam visitar “TALVEZ” na sexta-feira (01/07/2011), pois não possuem carro para realizar visita aos casos necessários.

No dia 29 de junho (quarta-feira), a criança foi novamente espancada. Desta vez, ao término do espancamento, a “mãe” saiu às 12h e retornou às 17h, deixando a criança trancada em casa.

No momento do espancamento minha mãe ligou de um telefone público para o DISQUE-DENÚNCIA 100. E após cerca de 35 min de espera, foi grosseiramente atendida, e ao tentar relatar o caso foi continuamente interrompida. A posição final é que somente iriam poder realizar algo após 24hs.

O problema é que a “família” está de mudança, pois os vizinhos começaram a demonstrar forte incomodo com os espancamentos. Talvez quando o Conselho Tutelar chegar até local seja tarde demais.

Agora são 01 de julho e neste exato momento esta criança pode estar sendo espancada ou mesmo estar em cárcere privado. O que fazer? As instituições não respondem a contento. Teremos que fazer justiça com as próprias mãos?

ESTA É A GRAVE SITUAÇÃO DE ATENDIMENTO ÀS CRIANÇAS VITIMIZADAS PELA VIOLÊNCIA NOS “LARES” DE MANAUS.

P.S.: Já tentei ligar para a Delegacia da Criança e o que ouço são apenas ruídos de conversa. A impressão é que o telefone está sendo retirado do gancho, mas ninguém atende".

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