AMAZÔNIA INDÍGENA REALIZARÁ GRANDE ENCONTRO

A salvação do planeta está na sabedoria ancestral e nos direitos coletivos dos povos indígenas da Amazônia

Manaus será a capital amazônica do mundo. De 15 a 18 de agosto a cidade recebe o maior encontro de lideranças indígenas de toda a região. A Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica – COICA, em parceira com a COIAB e suas organizações de base realizam o “Grande Encontro dos povos Indígenas da Bacia Amazônica: Saberes Ancestrais, povos e vida plena em harmonia com a Floresta”. Estarão presentes, aproximadamente 200 lideranças dos nove países que compõem a bacia Amazônica: Equador, Peru, Bolívia, Brasil, Suriname, Guiana, Guiana Francesa, Colômbia e Venezuela.

Em seguida ao Grande Encontro Amazônico, acontece a Abya Yala, uma reunião com lideranças indígenas da América Latina e também acontece o Fórum Permanente dos Povos Indígenas, dessa vez, reunindo representantes indígenas dos cinco continentes, para juntos definirem um parecer indígena que será defendido na RIO+ 20 que acontece ano que vem no Rio de Janeiro.

Na noite de ontem (03), um jantar de lançamento do Grande Encontro foi oferecido para os amigos da imprensa e os aliados da causa indígena em Manaus. Na ocasião foi apresentado a programação do evento que terá msdeuita informação e debate, discutirá temas referentes à mudanças climáticas, Redd + (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação) , biodiversidade, direitos coletivos, saberes ancestrais, entre outros assuntos de maior importância para os povos indígenas.
O jantar contou ainda com a participação dos representantes do GTA – Grupo de Trabalho Amazônico, ISA- Instituto Sócio Ambiental, Idesam - Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas, FUNAI – Manaus, SEIND - Secretaria de Estado para os Povos Indígenas do Amazonas, FAS - Fundação Amazonas Sustentável e dos deputados Toni Medeiros e Sidney Leite, que destacaram a importância do Amazonas sediar esse evento de significativa relevância para os povos indígenas.
Juan Carlos Jintiach, coordenador da área de cooperação econômica internacional e desenvolvimento autônomo da COICA fez um breve histórico da COICA, em seus 27 anos de luta em defesa dos povos indígenas.  Explicou que os povos indígenas amazônicos, mesmo com suas diferentes agendas e projetos, têm uma mesma luta em comum. Território, florestas e direitos coletivos. A articulação em defesa dessas questões deve ser travada com os nove países. “Esse encontro é um momento histórico para os povos indígenas que discutem esse tema de mudanças climáticas, florestas, conhecimentos ancestrais e também por conta das articulações internacionais, com relação ao Protocolo de Quioto, mudanças climáticas, Convecção Marco das Nações Unidas. É um momento chave para fazer diferentes trabalhos de articulação, afinal, somos 390 povos na bacia amazônica, mais de 10 milhões de km nos 9 países amazônicos”.
Para Marcos Apurinã, coordenador geral da COIAB, o Grande Encontro Pan-Amazônico é um momento único para discutir as questões que afligem os povos indígenas da Amazônia. “Não tem projeto de política no Brasil, que diferencie e garanta direitos aos povos indígenas. Não temos diálogo com o governo, a COICA deve saber disso, os países vizinhos devem saber disso. É somente na pressão que vamos conseguir alguma coisa. No Brasil são criadas as fundações do governo para somente distribuir cestas básicas. Queremos projetos de sustentabilidade, respeitando cada uma das cores desse país. Se é um país de todos, por que não somos respeitados?! Precisamos discutir a Convenção 169 da OIT, pois o Brasil é um país sem leis”, denunciou a liderança Apurinã.
O Grande Encontro acontece, no Hotel Taj Mahal, no Centro de Manaus. Como parte da programação, no dia 16, terça-feira, haverá um grande ato público em defesa da vida e dos povos, contra Belo Monte e outros grandes empreendimentos na Amazônia, que contará com a participação de ilustres parceiros da causa indígena e líderes tradicionais como o cacique guerreiro Raoni Kayapó, lendário defensor do Xingu, Tito Puanchi, liderança Equatoriana, Alberto Pizango Chaui, destacada liderança indígena peruana, entre outros.

Fonte: Assessoria de Comunicação/COIAB

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