O cidadão também é responsável

A quem cabe cuidar da cidade, do bairro ou da comunidade em que moramos?  Ao poder público! Provavelmente essa é a primeira resposta que vem à lembrança de qualquer cidadão ou cidadã. E é verdade.  Mas essa responsabilidade cabe só e unicamente ao poder público? Para a maioria, talvez, a resposta seja “sim”.  Mas, vamos considerar outras possibilidades a partir da compreensão de que a capacidade do poder público é limitada para atender todas as demandas de uma cidade como Manaus, que cresceu extraordinariamente nos últimos anos e, como conseqüência, apresenta problemas de toda ordem.
Neste final de semana, dois cenários me chamaram a atenção.  Na comunidade Parque São Pedro, no Tarumã, existe um lago muito bonito. Ainda podemos ver crianças e jovens aproveitando o local para amenizar os incômodos provocados pelo forte calor do verão de Manaus. Infelizmente, a brincadeira acontece em meio ao lixo, à poluição. Moradores atiram garrafas e sacolas plásticas, papel, e outros detritos. A beleza do local e a saúde das pessoas podem estar comprometidas por conta da falta de cuidados adequados.
Mais adiante, no Monte das Oliveiras, não faz muito tempo o igarapé Passarinho recebeu obras de drenagem e saneamento. É um local bonito e reúne condições para ser ainda mais aprazível. Mas a poluição e a falta de cuidados tornam o lugar nada agradável.
Nas duas comunidades é necessário um olhar mais cuidadoso por parte dos moradores e do poder público. Os cidadãos e cidadãs que habitam essas localidades não percebem a importância de sua interferência em, pelo menos, duas direções: a primeira, para acionar periodicamente os órgãos responsáveis pela limpeza e outros cuidados; a segunda, da própria comunidade se mobilizar para cuidar do local. Esse gesto é possível, não envolve custos elevados e tem, ainda, o poder de fortalecer os laços comunitários em defesa do patrimônio que a todos serve.
Ao cidadão, a meu ver, cabe também a responsabilidade de cuidar de sua comunidade sem esperar única e exclusivamente pelo poder público que – repito- deve ser instado a cumprir suas obrigações.
Costumo tomar como exemplo o seguinte: todos nós temos problemas em nossas casas e sempre buscamos soluções para que nossas famílias mantenham-se unidas e fortalecidas. No âmbito do lar, a solução cabe a todos.
Porém, quando abrimos a porta e saímos à rua nos deparamos com problemas que não são exclusivamente nossos, mas afetam todos na vizinhança. Então, a todos da comunidade cabe buscar soluções, seja em vista de acionar o poder público ou para iniciativas que a própria comunidade pode adotar em seu benefício.
Qualidade de vida, portanto, está associada ao exercício da cidadania - à capacidade dos cidadãos e cidadãs exigirem ação do poder público -, e ao fortalecimento da consciência comunitária, coletiva, da compreensão que a responsabilidade pelo cuidado do local em que vivemos cabe a cada um e a todos. 


Fotos 1 e 3: Lagoa da comunidade São Pedro - tarumã, Zona Oeste de Manaus.
Fotos 2 e 4: Igarapé Passarinho, Monte das Oliveiras - Zona Norte.

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