EM CLIMA DE TRUCULÊNCIA COMISSÃO APROVA DESMONTE DO CÓDIGO FLORESTAL

Numa tumultuada sessão, as comissões de agricultura e de ciência e tecnologia aprovaram o texto base do senador Luiz Henrique (PMDB/SC) para o novo Código Florestal.
Na avaliação dos integrantes do Comitê Brasil em Defesa das Florestas o projeto aprovado, mesmo com as eventuais modificações que poderão ocorrer, não resolve os principais problemas do texto aprovado na Câmara dos Deputados.
Continua a abertura para anistiar todos os desmatamentos ilegais feitos até três anos atrás, a falta de regras diferenciadas para os pequenos agricultores, a ausência de regras claras para evitar novos desmatamentos em beiras de rio e nascentes, pastagens em encostas, dentre vários outros que haviam sido elencados pelo comitê. E, dependendo das emendas que serão aprovadas, pode piorar ainda mais.
A truculência da polícia do senado, que violentamente acabou com a manifestação pacífica de estudantes contrários à aprovação do projeto, foi outra marca do triste episódio desta tarde. Os membros do comitê manifestam seu repúdio à violência praticada contra os manifestantes e exigem apuração e punição dos responsáveis.
O Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável conclama a sociedade brasileira a, mantido o texto atual, iniciar uma ampla campanha pelo veto da Presidenta da República, Dilma Rousseff para evitar um dos maiores retrocessos na legislação ambiental brasileira em toda sua história.
Brasília – DF, 08 de novembro de 2011

Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável




ONU alerta para efeitos de problemas ambientais sobre os mais pobres


O relatório do Desenvolvimento Humano 2011, divulgado nesta quarta-feira pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), é em grande medida voltado às questões ambientais. O documento se intitula “Sustentabilidade e Equidade: Um Futuro Melhor para Todos” e a influência do meio ambiente sobre o desenvolvimento permeia a maioria dos capítulos.
A reportagem é do G1, 02-11-2011.
Já na apresentação, Helen Clark, administradora do Pnud, destaca que “o continuado insucesso na redução dos riscos ambientais graves e das crescentes desigualdades sociais ameaça abrandar décadas de progresso sustentado da maioria pobre da população mundial – e até inverter a convergência global do desenvolvimento humano”.
O documento lembra que, em muitos casos, as populações menos favorecidas são as mais afetadas pela deterioração do meio ambiente, ainda que sejam os que menos contribuem para isso. “Por exemplo, os países com um IDH baixo foram os que menos contribuíram para as alterações climáticas globais, mas sofreram a maior perda de precipitação e o maior aumento na sua variabilidade, com repercussões na produção agrícola e nos meios de subsistência”, diz o relatório.
O relatório ressalta que uma pessoa num país com um IDH muito elevado é responsável, em média, por mais de quatro vezes as emissões de dióxido de carbono e cerca de duas vezes as emissões de metano e óxido nitroso de uma pessoa num país com IDH baixo, médio ou elevado.
O Pnud aponta que existe uma relação não linear entre o IDH e as emissões de carbono num país. Nações com maiores emissões tendem a ter atividade econômica maior, o que faz seu IDH aumentar, mas não implica que tenham bons indicadores em outras componentes do índice, como saúde e educação.
Mas há outras questões ambientais que podem ser mais claramente relacionadas com o IDH. As privações ambientais vividas pelas famílias, como a poluição do ar e a falta de acesso a água potável e saneamento, por exemplo, são mais graves nas regiões com níveis mais baixos de IDH e diminuem à medida que o índice aumenta.
O Pnud considera que, de maneira geral, as tendências ambientais ao longo das últimas décadas "demonstram uma deterioração em diversas frentes", com efeitos negativos no desenvolvimento humano, especialmente para as pessoas que dependem diretamente dos recursos naturais para subsistência.
Quase 40% da terra no mundo está degradada devido à erosão, diminuição da fertilidade e excesso de pastoreio. O desmatamento é outro problema grave: “entre 1990 e 2010, a América Latina e Caribe, e a África Subsaariana sofreram as maiores perdas florestais”, aponta o texto. E a desertificação ameaça as terras áridas, onde vive um terço da população mundial.
Os fatores ambientais, estima o Pnud, devem provocar um aumento dos preços dos alimentos em 30% a 50% nas próximas décadas.
“Cerca de 350 milhões de pessoas, muitas delas pobres, vivem em florestas ou nas suas proximidades, dependendo destas para a sua subsistência e rendimento. Tanto o desmatamento como as restrições ao acesso a recursos naturais podem prejudicar os mais pobres”, alerta a ONU, que afirma ainda que cerca de 45 milhões de pessoas - pelo menos 6 milhões das quais mulheres -, dependem da pesca como modo de vida e estão ameaçadas pela sobrepesca e pelas mudanças no clima.
Rio+20
O relatório lançado nesta quarta lembra que no próximo ano as atenções do mundo estarão voltadas para a América Latina, que sedia a Rio+20, a conferência sobre desenvolvimento sustentável que fará um balanço dos avanços conseguidos desde a Eco 92 e tentará colocar novas metas para o futuro.
O Pnud destaca a redução do desmatamento na região, que teria se iniciado com as ações de combate à devastação na Amazônia brasileira, a partir de 2005. Ainda assim, há muitas áreas florestais ameaçadas no continente.
Outras ameaças para a América Latina no campo ambiental são o aumento do nível do mar, que poderia inundar áreas costeiras em 31 países da região, e a queda nos estoques de pescado.
Um ponto a favor da América Latina citado no documento é o alto índice de consciência em relação aos riscos das mudanças climáticas. Pesquisas consultadas pela organização indicam que 95% dos latino-americanos acreditam que o aquecimento global é uma ameaça grave, enquanto a média mundial é de 68%.
O Pnud ainda elogia os programas de distribuição de renda como o Bolsa Família, no Brasil, e o Oportunidades, do México, que chegam a cerca de um quinto de suas populações custando 0,4% de seus produtos internos brutos.

Desastres naturais se agravarão neste século, afirma ONU

Seca, inundações, ciclones e incêndios: os desastres climáticos estão mais frequentes e intensos com o aquecimento global provocado por atividades humanas. A tendência é que esta situação se agrave, alerta um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o clima que será divulgado neste mês.
A reportagem é do G1, 01-11-2011, com informações da agência France Presse.
O impacto do aquecimento climático sobre os eventos depende de sua natureza e de sua distribuição, muito desigual, entre as diferentes regiões do mundo. Além disso, o nível de certeza das previsões formuladas por especialistas varia com a quantidade e a qualidade dos dados disponíveis.
Mas centenas de cientistas redigiram o relatório para o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) e são contundentes: os eventos climáticos extremos serão, no geral, mais graves e mais frequentes nas próximas décadas, um risco a mais para a maior parte dos habitantes de nosso planeta.
"Este é o maior esforço já realizado para avaliar o modo como as catástrofes estão mudando", afirmou Neville Nicholls, professor da Universidade Monash de Melbourne e coordenador de um dos capítulos deste relatório, que deve ser revisado pela ONU durante a reunião em Kampala, antes da publicação, programada para o dia 18 de novembro.
Esta publicação coincide com uma série de catástrofes naturais devastadoras que suscitaram muitas interrogações e inquietações. Em 2010, temperaturas recordes favoreceram incêndios que destruíram florestas da Sibéria, enquanto o Paquistão e a Índia sofreram com inundações sem precedentes.
Neste ano, os Estados Unidos registraram um número recorde de desastres, desde o transbordamento do Mississippi e do Missouri até o furacão Irene, passando pela seca terrível que afeta atualmente o Texas. Na China, regiões inteiras sofrem com secas intensas, enquanto chuvas devastam a América Central e a Tailândia.
Calor vai aumentar no século 21
A maior parte destes eventos são consequência do aquecimento climático produzido por ação humana: aumento das temperaturas, do teor de água na atmosfera e da temperatura dos oceanos. Todos eles, fatores propícios para agravar e provocar eventos climáticos extremos.
De acordo com o relatório, apoiado em centenas de estudos publicados nos últimos anos, é quase certo, de 99% a 100%, que a frequência e a magnitude dos recordes de calor diários vai aumentar em escala planetária neste século 21.
E é também muito provável (90% a 100%) que a duração, a frequência e a intensidade das ondas de calor continuarão a aumentar em quase todas as regiões. Os picos de temperatura vão provavelmente (66% a 100% de certeza) aumentar em relação ao fim do século 20, até 3°C em 2050 e 5°C até 2100.
Muitas áreas, particularmente os trópicos e as latitudes elevadas, vão enfrentar chuvas e neves mais intensas. Paralelamente as secas vão se agravar em outros pontos do globo, em especial no Mediterrâneo, na Europa Central, na América do Norte, no nordeste do Brasil e na África austral.
O aumento do nível dos mares e da temperatura das águas vai provocar ciclones mais destrutivos, enquanto o derretimento das geleiras e do permafrost, combinada com mais precipitações, poderá provocar mais deslizamentos, diz o IPCC.

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