Indígenas ocupam sede da Funai em Atalaia do Norte

Cerca de 150 indígenas estão ocupando desde as nove horas de hoje,10/11, a sede da Fundação Nacional do Índio – Funai, no município de Atalaia do Norte, no extremo oeste do Amazonas.  Eles querem a criação de uma coordenação regional especificamente do Vale do javari baseada naquela cidade e a troca do atual coordenador, Bruno da Cunha Araújo Pereira, que está no cargo há cerca de dois meses.

A ocupação é liderada por organizações indígenas da região tendo à frente a União dos Povos Indígenas do vale do Javari – Univaja. Os ocupantes são dos povos Kanamari, Mayoruna, Matis e Marubo e, de acordo com Jader Comapa Franco, coordenador da Univaja, nas próximas horas outros indígenas deverão juntar-se aos que já estão ali instalados.

“Nós queremos com urgência que seja criada a Coordenação Regional do Vale do Javari. Com a reestruturação a Funai criou uma coordenação do Vale do Juruá mas que não nos contempla uma vez que os problemas hoje são muitos e não somos assistidos precisamos”, disse Jader Comapa. “É fácil olhar pelo mapa, mas é difícil você conhecer. Parece que o governo tem medo de visitar as comunidades”, protesta Kurá Kanamari.

Com a reestruturação do órgão indigenista, concretizada com a edição do Decreto 7056, de 28 de dezembro de 2009, foram criadas 36 coordenações regionais da Funai das quais seis são localizadas no Amazonas e entre elas a coordenação regional do Vale do Juruá. Na avaliação dos indígenas, essa situação prejudica o atendimento tanto dos indígenas do Vale do Javari quanto do Juruá.

“Nós já solicitamos por várias vezes que a Funai nos atenda para discutir o assunto mas até agora nada foi feito”, explica Jader Comapa. Sobre a necessidade de substituir o atual coordenador regional, ele explica que sua nomeação aconteceu de forma arbitrária, “de cima para baixo”. “Nós estamos exigindo a presença do presidente da Funai, Márcio Meira, para discutirmos sobre tudo isso”, diz o coordenador da Univaja.

Na região do Vale do Javari – distante de Manaus, a capital do Amazonas, cerca de 1.100 quilômetros em linha reta-, um dos mais graves problemas enfrentados pelos povos indígenas é a contaminação por doenças como hepatites, malária, tuberculose e outras. Anualmente, muitos indígenas tem morrido devido à precariedade da assistência à saúde.

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