Por um 2012 melhor e mais feliz!

Não sou muito afeito a festas, badalações, coisas do tipo. Aprecio as comemorações e a alegria que toma conta das pessoas nessa época do ano. Desejar os melhores augúrios pela passagem do Natal ou pelo ano que entra aos amigos, vizinhos e outros faz parte da tradição da nossa sociedade e é sempre de bom tom para que as pessoas sintam-se melhor e mais animadas a encarar o que vier pela frente.

Precisamente por isso gostaria de fazer a devida reverência a 2012, mas não sem uma breve análise do que, do meu ponto de vista, significou o ano que termina.

Um olhar sobre os últimos doze meses não me faz acreditar piamente que o próximo ano será melhor. A História não se move por magia. A dinâmica da sociedade impõe o ritmo do nosso dia-a-dia: faz-nos crescer ou ser atirado ao fosso da exclusão social, nos faz consumir e movimentar as engrenagens da economia para embalar nossas mais cândidas fantasias.

Nos primeiros dias de 2011 percebemos algumas mudanças. Uma parte do mundo que durante décadas (olhando apenas do ponto de vista da contemporaneidade) viveu sob ditaduras, sob pressão de governos despóticos, começou a se desfazer pela força da vontade e dos braços de uma juventude que aprendeu no ritmo da globalização a não aceitar as imposições de seus governantes. O Norte da África tornou-se, neste ano, o ponto de partida para importantes mudanças num tempo em que não se via com tanta imponência a força de vários povos.

Ditadores como Mohamar Kadafi não deveriam ficar, mesmo, à frente de um povo empobrecido e subjugado em um país com grande potencial de distribuir melhor   sua riqueza. No entanto, a morte dele nos coloca diante de uma interrogação: a quais mudanças os novos governantes se propõem se em vez mostrar ao mundo um caminho de justiça e respeito ao próximo mostraram o cadáver do inimigo envolto em sangue e ódio?

Do mundo árabe para o mundo capitalista ocidental, vários rostos das mais variadas origens, numa caminhada igualmente contra a tirania - desta vez contra as imposições do capital e do “deus” mercado – levantaram vozes e bandeiras no movimento “Occupy Wall Street”.  Os fatos que antecederam e marcaram esse movimento são parte também de uma caminhada que vem acontecendo desde as primeiras manifestações contra as várias faces do que conhecemos como globalização.

Vimos, ainda, o quanto os governos estão surdos para os clamores de seus povos. A Cúpula Governamental sobre Mudanças Climáticas de Durban, na áfrica do Sul, é um exemplo disso. No Brasil, particularmente, a “contribuição” para o desastre climático ocorre na arena dos debates em torno do Código Florestal - na Câmara Federal representou uma das maiores vitórias dos ruralistas e de outros setores igualmente surdos para os apelos em favor da questão ambiental. No mesmo rumo, há de se destacar a insensibilidade governamental contra as vozes contrárias à construção de Belo Monte e outros empreendimentos faraônicos que comprometem o meio ambiente e a qualidade de vida de populações por elas afetadas.

Apesar de todas as investidas contra a vontade dos povos e do nosso povo, a sociedade civil, por meio de suas instituições representativas, mostra o outro lado da moeda: das mudanças possíveis, da necessidade de transparência e de democracia, do desejo de por fim à corrupção e de humanizar as instituições. Acredito nisso, ainda que leve um tempo além do horizonte que percebemos.
E por mais que os prognósticos apontem para onde não queremos e alguns comentaristas insistam em adiantar notícias ruins, me junto a todos que desejam um ano melhor e mais feliz porque ele só existirá se desejarmos e fizermos por onde ele aconteça!

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