Encontro Internacional de Direitos Humanos em Solidariedade com Honduras começa hoje

Nesta sexta-feira (17), tem início o Encontro Internacional de Direitos Humanos em Solidariedade com Honduras, que será realizado na região hondurenha Bajo Aguán, departamento de Colón. Até o dia 20 serão desenvolvidas atividades com o objetivo de debater e encontrar saídas para as violações de Direitos Humanos em Honduras, especialmente em Aguán; evidenciar a continuidade do golpe de Estado perpetrado em 28 de junho de 2009 e unir pessoas de diversas nacionalidades interessadas em trocar experiências para fortalecer a luta contra a militarização.

O Encontro, convocado por 45 organizações e movimentos de Honduras, Argentina, Brasil, México, Venezuela, Colômbia, El Salvador, Haiti, entre outras nações, será realizado em um local de lutas históricas pela terra e de intensa repressão por parte dos grandes proprietários. Por este motivo, serão realizadas, como parte da programação, Brigadas de Solidariedade que se instalarão nas comunidades e assentamentos que vivem condições mais graves de repressão. Os integrantes das Brigadas realizarão trabalhos de prevenção e proteção aos direitos humanos.

Desde o golpe de Estado de Estado, Honduras vive uma situação alarmante de violações de Direitos Humanos. Além da repressão às manifestações populares, o país é palco de desaparecimentos e assassinatos de comunicadores, sindicalistas, defensores/as de direitos humanos e campesinos. De acordo com o site Honduras Terra Livre, apenas em 2011 59 foram assassinados. Em 2010, o número foi pouco maior, 61 assassinatos sob o regime de Porfirio Lobo, considerado continuador do Golpe.

O Comitê de Familiares de Detidos Desaparecidos em Honduras (Cofadeh), em relatório sobre a situação de Direitos Humanos no país, contabilizou entre 2009 e 2011, mais de 1.045 ameaças, assassinatos, detenções arbitrárias, uso arbitrário do sistema penal, casos de tortura, perseguição e atentados contra a personalidade jurídica de organizações de direitos humanos, além da emissão de leis como a que regula o funcionamento e as obrigações de associações e organizações sem fins lucrativos (capítulo XIII da Lei contra o financiamento do Terrorismo em Honduras, de novembro de 2010).

Se nas cidades a situação é crítica, no campo - onde mais de 40% da população vive - é ainda pior. Algumas regiões são mais afetadas e Bajo Aguán está entre elas. Nesta localidade, campesinos e campesinas vivem constantemente acuados pela repressão exercida por grandes proprietários de terra. Cofadeh aponta que apenas em 2010 e 2011, 46 campesinos foram assassinados na região.

Neste ano, a situação não se configura de forma diferente. O Movimento Unificado Campesino do Aguán (Muca), por meio de comunicado, denunciou que a dirigente campesina Florinda Rodrigues foi sequestrada no dia 15 de janeiro. Os criminosos deixaram o recado que vão terminar o que iniciaram. Já no dia 20, o assentamento de Rigores foi cercado por cerca de 30 minutos por dez homens montados em cinco motocicletas, que chegaram armados com revólveres e armas longas.

Este tipo de ameaça e perseguição é corriqueira e não há uma semana em que algum assentamentos não seja cercado e os/as campesinos/as amedrontados. Por este motivo, eles deixam um apelo:

"É urgente que a solidariedade nacional e internacional persista em seu acompanhamento com a população campesina do Aguán, por isso assistir ao Encontro Internacional de Direitos Humanos em Aguán (...), representa a esperança mais próxima para incidir sobre o estado Hondurenho a que resolva com a maior brevidade possível este conflito agrário no Aguán como condição fundamental para conseguir que se respeitem os direitos fundamentais de nossos povos em resistência e particularmente das comunidades campesinas em luta pela terra”.

Mais informações sobre o Encontro em http://www.mioaguan.blogspot.com/.


Fonte: Adital/Natasha Pitts

Comments