Relatório alerta para necessidade de combater desnutrição e pobreza na região

Ao contrário do que se esperava, o número de subnutridos nos países da América Central aumentou. A informação é da Organização das Nações Unidas para a Alimentação (FAO, por sua sigla em inglês) e do Programa Regional de Segurança Alimentar para a América Central (Presanca II) que, preocupados com a situação alimentar da população da América Central elaboraram o relatório "América Central em Cifras. Dados de Segurança Alimentar Nutricional e Agricultura Familiar”.

O documento apresenta dados atualizados sobre os principais indicadores relacionados com a segurança alimentar nutricional, agricultura familiar e pequenos produtores de grãos básicos da região e tem como objetivo conscientizar as populações sobre o problema alimentar mundial e fortalecer a solidariedade na luta contra a fome, a desnutrição e a pobreza.

De acordo com o relatório, 14,2% da população dos seis país da América Central (Panamá, Nicarágua, Honduras, Guatemala, El Salvador e Costa Rica) está desnutrida, o que equivale a quase seis milhões de pessoas. Em quatro destes seis países a subnutrição afeta mais de 10%. Apenas na Costa Rica esta cifra fica abaixo de 5%. Além disso, em cinco países da região 19% das crianças sofrem com desnutrição crônica moderada e grave, o que implica no retardo do crescimento.

FAO também revela que 50% dos habitantes da América Central vivem na pobreza, cifra que supera a média dos países da América Latina e Caribe, que fica em 33%. O mesmo acontece com os dados de pobreza extrema, já que 26,8 % dos centro-americanos enfrentam esta situação, enquanto na América Latina e Caribe os dados mostram 13,3 % da população na indigência.

Baseado nisto e no fato de que os seis países da América Central estão entre os 40 mais desiguais do mundo, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação alerta para a necessidade de combater a constante alta nos preços dos alimentos, problema que afeta a população vulnerável à insegurança alimentar e nutricional. FAO aponta que esta população é, especialmente, rural e se insere na agricultura familiar. Por este motivo a América Central precisa ser vista com atenção, já que sua população rural chega 41,41%.

Para ter uma base da situação econômica das famílias rurais, o relatório apresenta uma comparação entre o valor da cesta básica rural e do salário mínimo legal agrícola e constata que apenas na Costa Rica o salário permite comprar a cesta e ainda sobra para cobrir outras despesas. "Os casos mais críticos são Honduras e Nicarágua, cuja diferença supera os 100 dólares mensais de déficit, entre o salário mínimo e o custo da cesta básica”, evidencia América Central em Cifras.

Todas as famílias que moram no campo e tem a atividade agrícola como principal ou tem outra atividade laboral, mas se dedicam à produção de grãos básicos para alimentação familiar ou abastecimento local, estão inseridas na Agricultura Familiar. Na América Central, 2.350.000 famílias estão inseridas nesta denominação. Elas são responsáveis por 50% do setor agropecuário centro-americano, mesmo assim, 65,3% dos lares que se dedicam à agricultura familiar estão na pobreza.

Os principais atores da agricultura familiar são pequenos produtores e produtores de grãos básicos que também enfrentam a pobreza (34% dos lares), a extrema pobreza (32%) e a insegurança alimentar e nutricional (6 de cada 10 lares).

Informe na íntegra: http://www.pesacentroamerica.org/biblioteca/ca_en_cifras.pdf


Fonte: Adital/Natasha Pitts

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