Organizações indígenas e camponesas se unem por demandas agrárias históricas

No início desta semana, organizações indígenas e camponesas se reuniram em Brasília, capital federal do Brasil, para lutar por suas demandas históricas. Na tarde de ontem (28), em ato público realizado no Plenário 15 da Câmara dos Deputados, as organizações apresentaram à sociedade um manifesto em que fazem críticas ao modelo desenvolvimentista brasileiro e reafirmam os eixos centrais de sua luta.

Durante o Seminário Nacional de Organizações Sociais do Campo, realizado nos dias 27 e 28, lideranças de mais de 10 organizações do campo e indígenas se reuniram para debater a necessidade de intensificar e unificar a luta em defesa da reforma agrária, dos direitos territoriais e da produção de alimentos saudáveis.

De acordo com Rosângela Piovizani, integrante da Via Campesina, organização camponesa presente em países da Ásia, África, América e Europa, o seminário aconteceu para discutir como fazer o Governo Federal se atentar para problemas como a reforma agrária, as dívidas rurais e a educação no campo.

"Há uma grande insatisfação, pois nos últimos anos não há recursos para a agricultura familiar camponesa, mas para o agronegócio e as exportações sim. Juntas, em pauta unificada, as organizações do campo vão agir de forma mais intensa para reivindicar demandas que não andaram como a educação no campo, o aumento do uso de agrotóxicos e o incentivo ao agronegócio, assim como a própria reforma agrária que não evolui porque não há vontade política para realizar as desapropriações e fazer novos assentamentos”, critica.

No manifesto gerado durante o seminário nacional, as organizações participantes também criticam o modelo de produção de commodities agrícolas baseado em latifúndios, e consequentemente, na expulsão das famílias do campo.

"O Brasil vive um processo de reprimarização da economia, baseada na produção e exportação de commodities agrícolas e não agrícolas (mineração), que é incapaz de financiar e promover um desenvolvimento sustentável e solidário e satisfazer as necessidades do povo brasileiro”, apontam.

Centrados no combate à mercantilização dos bens naturais, concentração e estrangeirização da terra, uso exagerado de agrotóxicos, violência no campo, criminalização dos movimentos, lideranças e lutas sociais e demais problemas que afetam o campo, as organizações indígenas e camponesas reafirmam que sua luta terá continuidade voltada a um desenvolvimento com sustentabilidade e focada na soberania alimentar e territorial.

Esta luta está pautada em quatro eixos centrais, que são: Reforma Agrária ampla e de qualidade, garantia dos direitos territoriais dos povos indígenas e quilombolas e comunidades tradicionais; desenvolvimento rural com distribuição de renda e riqueza e o fim das desigualdades; produção e acesso a alimentos saudáveis e conservação ambiental, estabelecendo processos que assegurem a transição para a agroecológica; e garantia e ampliação de direitos sociais e culturais que permitam a qualidade de vida, a sucessão rural e a permanência da juventude no campo.

A cooperação deve vir não apenas dos parlamentares e setores do governo. As lideranças das organizações sociais aguardam também o apoio e adesão de outras entidades e movimentos sociais, de personalidades e da sociedade em geral, já que as pautas reivindicadas implicam na vida de milhares de brasileiros e brasileiras.

O Seminário Nacional de Organizações Sociais do Campo teve a participação da Associação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), CÁRITAS Brasileira, Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Confederação Nacional de Trabalhadores na Agricultura (Contag), Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento Camponês Popular (MCP), Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Via Campesina Brasil.

Fonte: Adital/Natasha Pitts



NILCILENE, COM ESCOLTA E COLETE À PROVA DE BALAS: “ELES VÃO ME MATAR”


Liderança na Amazônia ganha proteção da Força Nacional, mas vive acuada com ameaças. À sua volta, madeireiros e grileiros seguem livres.

- Nesse rio aqui também apareceu um morto, levou 13 dias para virem retirar o corpo. A gente espantava os urubus com uma palha.
Com colete a prova de balas, chacoalhando no banco de trás da viatura da Força Nacional de Segurança, essa é a quarta vez que a produtora e líder rural Nilcilene Miguel de Lima aponta lugares onde encontrou corpos furados a bala nas estradas do sul de Lábrea, município do Amazonas. “Já teve vez que não apareceu ninguém para buscar. O povo enterrou por aí mesmo”.

É fim de tarde. A viatura tem que chegar na casa de Nilcelene antes do escurecer, onde dois policias passam a noite em vigília. Alguns quilômetros antes do destino, ela se agita ao ver uma picape azul no sentido oposto da estrada:

- É ele! É o carro do Pitbull.Leia mais 

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