Em vários pontos do país, juventude organizada realiza manifestações pelos 16 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás

"Nós nos sentimos parte dessa história de luta. O Massacre de Eldorado dos Carajás faz parte da história e é preciso lutar contra a impunidade para que a juventude não se sinta perdida”. A consideração é de Ronaldo Souza, integrante do Levante Popular da Juventude, movimento social que realiza, nesta terça-feira (17), ações em diversos estados do país para lembrar os 16 anos do assassinato de 21 trabalhadores rurais sem-terra na cidade de Eldorado dos Carajás, no Pará, estado da região Norte do Brasil.

De acordo com Ronaldo, mais de dez estados brasileiros participam das ações do Levante que faz referência ao episódio. São manifestações de denúncias, peças teatrais, distribuição de panfletos, conversas com a sociedade. Em alguns estados, jovens colocaram 21 cruzes brancas em locais públicos para representar os 21 trabalhadores mortos no massacre. "São atos contra a impunidade e pela luta pela terra, pela reforma agrária”, comenta.

Em um comunicado divulgado no sítio eletrônico do movimento, os/as jovens do Levante Popular destacam que não se esqueceram do massacre e que continuarão a lutar pela justiça. "Sabemos que nós só conseguiremos transformar nosso país, construindo um futuro com justiça e liberdade se resgatarmos a história de nosso povo, se julgarmos os crimes do passado e se impedirmos os crimes do presente. Até que os assassinos sejam julgados, não esqueceremos, nem descansaremos”, reforçam.

Para Ronaldo, mobilizações como as que acontecem nesta terça-feira animam e fortalecem a luta. "São atos como este que alimentam a esperança de pessoas que acreditam na transformação social”, considera.

A Juventude do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) também está presente nas mobilizações referentes ao 17 de abril, data que marca o Dia Internacional das Lutas Campesinas. De acordo com informações do sítio eletrônico do movimento, a juventude do MST do Pará realiza, desde o dia 8 de abril, o 7° Acampamento Pedagógico ‘Oziel Alves’, em Eldorado dos Carajás.

Durante a atividade, os/as jovens participam de oficinas e debates sobre questão agrária, educação no campo, agroecologia, agrotóxicos, violência, luta das mulheres, entre outros assuntos. Na pauta das ações do Acampamento também está o massacre ocorrido no dia 17 de abril de 1996. Para chamar a atenção para o caso, jovens realizam o fechamento da BR-150 – local do massacre – por 21 minutos. Para o dia de hoje está marcado um ato político na "Curva do ‘S’”.

16 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás

No dia 17 de abril de 1996, cerca de 1.500 trabalhadores e trabalhadoras rurais bloqueavam a rodovia BR-150, no Pará, quando foram reprimidos por policiais. A ação policial deixou 21 sem-terras mortos (19 no local e outros dois posteriormente) e mais de 60 feridos. Apesar da repercussão nacional, o caso permanece impune.

Até hoje, 16 anos depois do episódio, somente duas pessoas foram condenadas: o coronel Mario Colares Pantoja e o major José Maria Pereira Oliveira. Juntas, as condenações somam 382 anos de prisão, mas os dois ainda respondem em liberdade. Outros 142 policiais militares envolvidos no caso foram absolvidos.

Para que este caso não caia no esquecimento, em todo o mundo, o 17 de abril é celebrado como Dia Internacional de Luta Camponesa.

Fonte: Adital/Karol Assunção

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