NO MARCO DA CONFERÊNCIA DO BM SOBRE TERRA E POBREZA, ORGANIZAÇÕES DIZEM NÃO AO ACÚMULO DE TERRAS


Desde a última segunda-feira, 23/04, acontece em Washington, nos Estados Unidos, a Conferência do Banco Mundial sobre Terra e Pobreza. O evento, que acontece até quinta-feira está sendo repudiado por organizações sociais e campesinas de todo o mundo. O motivo é que o Banco Mundial é um dos principais financiadores do acúmulo de terras, já que coloca capital à disposição de grandes investidores multinacionais interessados em se utilizar de terras produtivas para fazer pastos e produzir agrocombustíveis.

Por este motivo, Via Campesina, Campagna per la Riforma della Banca Mondiale, FIAN International, Focus on the Global South, Friends of the Earth International, GRAIN e Transnational Institute assinaram a declaração "Banco Mundial: Fora da terra!”.

A conferência do Banco Mundial, cujo tema é Governança da terra em um ambiente em rápida mutação, está sendo assistida por investidores corporativos, governos e instituições financeiras internacionais que, segundo a declaração conjunta, estão aprendendo a adquirir terras em todo o mundo, enquanto populações campesinas sofrem com a ausência de terras e de importantes recursos naturais.

As organizações sociais e do campo denunciam que iniciativas do Banco Mundial estão aumentando a concentração de terras nas mãos de poucos e "preparando o terreno para uma apropriação massiva das terras e das águas”.

O chamariz para incentivar o controle de terrenos férteis e bens naturais é o alto preço dos alimentos e a crescente demanda por agrocombustíveis, pastos e matérias-primas. A certeza de que os produtos vão ser absorvidos pelo mercado atraem corporações multinacionais do agronegócio e atores da indústria financeira como bancos privados e fundos de pensões.

"O BM [Banco Mundial] está desempenhando um papel chave neste acúmulo mundial da terra na medida em que põe à disposição capital e garantias para os grandes investidores multinacionais; oferece-lhes assistência técnica e apoio para ‘melhorar o clima de investimentos agrícolas’ nos assim chamados países receptores; e promove políticas e leis com um viés corporativo”, denunciam.

Segundo a declaração "Banco Mundial: Fora da terra!” a estimativa é que entre 80 e 230 milhões de hectares tenham sido arrendados ou comprados nos últimos anos apenas para produzir agrocombustíveis, matérias-primas e pastos, tudo voltado para o mercado internacional. No outro lado desta situação estão campesinos/as, pastores/as, pescadores/as e famílias rurais que estão perdendo o controle da água, terra, bosques, terras de pastoreio e dos processos de produção.

"As populações locais estão sendo desalojadas e deslocadas, seus direitos humanos, em particular o direito à alimentação e à moradia, estão sendo violados; e o meio ambiente, assim como as estruturas comunitárias tradicionais estão sendo destruídas”, denunciam.

Para que estas manobras não continuem sendo executadas e fiquem na impunidade a saída é que Estados tomem a frente e cumpram com suas obrigações de defender os direitos humanos e territoriais de sua população. Enquanto isso, os movimentos e organizações sociais, ambientais e campesinos prometem seguir reivindicando a retomada dos territórios monopolizados e se mobilizando contra o acúmulo de terras e a dominação dos recursos naturais no mundo.


Fonte: Adital/Natasha Pitts

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