Indígenas do Vale do Javari manifestam-se contra possíveis impactos de exploração petrolífera


As lideranças indígenas do Vale do Javari estão reunidas na sede da FUNAI na oportunidade da passagem por Atalaia do Norte, discutem sobre projeto da Petrobras, que possivelmente vai atingir terra indígena do Vale do Javari, bem como a poluição do Rio Juruá e seus afluentes e as cabeceiras dos Rios Itaquaí, Ituí e Jaquirana afluente do Rio Javari. Para os indígenas, essa informação foi apresentada na reunião sobre 169 da organização Internacional do Trabalho - OIT que aconteceu em Tabatinga pela representante da presidência da república, foi como descobriram a entrada da Petrobras no território acreano que limita com terra indígena do Vale do Javari. A companhia presente é a empresa denominada GEORADAR, que já vem convocando reunião a FUNAI, e o GEORADAR, ofereceram até helicóptero para FUNAI sobrevoar área indígena para identificação a área de perambulação dos povos indígenas não contatados da terra indígena do vale do javari.

A informação aconteceu na sede da Coordenação Regional da FUNAI em Atalaia do Norte – AM. Após reunião do Conselho Distrital de Saúde Indígena – CONDISI realizada nos dias 07 a 09/12/2012, Informação que revoltou as lideranças tradicionais que participavam do evento.

Nessa informação, trouxe preocupação que as organizações indígenas se responsabilizarão para informar as comunidades indígenas, e a realização das reuniões locais, bem como convocar uma assembléia geral para discutir detalhes da pesquisa da empresa citada e informar aos jovens para não se envolverem e buscarem emprego junto a empresa em cruzeiro do sul, tendo vista das causas que pode trazer para as aldeias.

As experiências já aconteceram nos anos 70 a 80, na terra indígena do Vale do Javari, casando vários impactos, como destruição das malocas de indígenas que vivem de forma isolada, afastamento dos animais das proximidades das aldeias, poluição dos igarapés pelos funcionários que explodiam dinamite para captura de peixes, grande quantidade de lixos deixados nas selvas do Vale do javari, aumento da proliferação dos mosquitos da malária, bem como entrada de DSTs pelos servidores que se envolviam com indígenas, causando morte que até hoje foram encobertado pelos responsáveis.

As lideranças indígenas deram encaminhamento para a realização de reuniões que fora denominados “reuniões prévias”. Sendo nas aldeias: Massapê, Vida Nova, Maronal e Jaquirana área de vulnerabilidade de impacto pela Petrobras.

As lideranças também encaminharam carta à presidenta da FUNAI Dr. Marta Azevedo em Brasília – DF, cobrando a intervenção junto à presidenta da república Dilma Russef suspensão da pesquisa, bem como cobraram da presidência condições a coordenação para promoção da reunião na terra indígena, com urgência. (ver anexo).

CARTA DOS POVOS INDÍGENA DO VALE DO JAVARI A EXCELENTISSIMA SENHORA DRA. MARTA AZEVENDO PRESIDENTE DA FUNAI, BRASILIA.

A União dos Povos Indígenas do Vale do Javari – UNIVAJA, e suas lideranças tradicionais dos povos indígenas: Mayuruna, Kanamary, Kulína, Matís e Marúbo reunidos na sede do Município de Atalaia do Norte – AM, oportunidade da reunião do Conselho Distrital de Saúde Indígena do Vale do Javari - CONDISI/JAVARI vêm manifestar a presença da empresa GEO RADA contratada pela Petrobras para pesquisa de petróleo na área do Vale do Juruá.

Tal pesquisa atinge o limite da terra indígena do Vale do Javari, que tanto lutamos pela demarcação ao longo da nossa historia. Vai poluir as nascentes dos rios da calha do Rio Javari, distanciar nossa caça e pesca, a área ficará escasso de alimentação para as populações indígenas do interior da terra indígena, colocando em risco a vida dos nossos povos, principalmente para os indígenas sem contatos que ainda vivem de forma isoladas.

 Não aceitamos qualquer atividade de empresa que inpacta a biodiversidade que vimos protegendo e mantendo sem poluição. Nossa terra é a nossa vida, com terra desprotegida, não teremos vida útil, basta o que enfrentamos com o descaso de doenças que já levou uma terça parte dos nossos povos, não queremos ficar na historia, queremos continuar com a nossa área protegida que faz parte das nossas vidas.

Diante exposto, vimos pedir a intervenção da FUNAI para a paralisação imediata de qualquer pesquisa da empresa GEO RADA. Pedimos ainda que apóie a nossa Coordenação Regional do Vale do Javari, disponibilizando recursos financeiros para promoção de encontros locais com cada povo e levar essas informações e possível precaução.

Os povos indígenas do Vale do Javari estão preocupados não só pela pesquisa, mas que vai atingir o maior rio da fronteira que é o Rio Javari, bem como prejudicar a vidas dos povos que vivem nos municípios de Atalaia do Norte das populações do alto Rio Solimões. Tendo como exemplo na área indígena do povo Mayuruna do outro lado na fronteira peruana, já está chegando um caos sobre a vida desses parentes, que pede por socorro, porque está prestes ficarem sem terra para viver porque a empresa petroleira do peru está atingindo as comunidades, principalmente usando até indígenas contra seus povos.

 E os Mayuruna residentes nestas localidades, pedem uma assembléia BÍ-FRONTEIRA as autoridades para discutir e alertar outros povos indígenas brasileiros e peruanos.

Com isso, a Associação Marúbo – AMAS, está articulando junto aos parceiros pedindo apoio para promoção da assembléia geral no vale do javari, neste evento será convidado todas as autoridades para participar.

Assembléia será sediada na Aldeia São Sebastião no centro da terra indígena.

Clovis Rufino Reis
Assessoria da AMAS

Atalaia do Norte – AM, 18 de Dezembro de 2012.

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