Malária aumenta entre indígenas da região do Médio Solimões e afluentes


 Os indígenas Deni do rio Xeruã, afluente do Juruá, no sul do Amazonas, estão enfrentando mais um surto de malária. A informação é da equipe do Conselho Indigenista Missionário – Cimi, no município de Tefé, onde a entidade, juntamente com organizações indígenas e a Secretaria Municipal de Assuntos Indígenas de Tefé farão levantamento do quadro da saúde indígena até o início de julho.

A equipe do Cimi Norte I não tem dados precisos sobre o número de pessoas afetadas pela malária, mas alerta que tem muitos doentes em várias aldeias. Na comunidade Morada Nova funciona o pólo base da Secretaria Especial de Saúde Indígena – Sesai, órgão responsável por prestar assistência à saúde dos povos indígenas. A Sesai encontra muitas dificuldades para atender as mais de 150 comunidades na área de abrangência do Distrito Sanitário Especial  - Dsei, de Tefé, que é formado por 10 municípios do Médio Solimões.

“Falta combustível, falta barco, as equipes multidisciplinares não são bem preparadas e não são completas, faltam medicamentos, além de outros problemas mais graves que precisam ser investigados”, diz Raimundo Nonato Filintro de Freitas, coordenador da equipe do Cimi de Tefé. Segundo ele, a malária também tem aumentado entre os indígenas Katukina, no município de Jutaí e entre os Maku da aldeia Nova São Joaquim, no município de Japurá.

Em vista das conferências de saúde que acontecerão em níveis local, municipal, estadual e nacional, o Cimi  juntamente com a Secretaria Municipal de Assuntos Indígenas de Tefé, União Nas Nações Indígenas – UNI/Tefé e Associação Cultural Indígena do Médio Solimões e Afluentes – ACPIMSA, já realizaram duas reuniões em vista de fazer um completo levantamento das dificuldades no atendimento à saúde. A Secretaria é responsável por coletar dados na área de abrangência do Município de Tefé, enquanto as organizações indígenas o Cimi farão esse trabalho nos demais municípios.

No início da década de 1990, uma epidemia de malária vitimou 67 indígenas Deni, de uma população de 255 pessoas. Antes disso, grande parte deles foi afetada com epidemia de tuberculose - doença que os impediu de realizar atividades econômicas durante muitos anos. 

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