SAÚDE INDÍGENA EM TAPAUÁ: LIDERANÇAS DENUNCIAM MORTES E PRECARIEDADE NO ATENDIMENTO À SAÚDE

Duas crianças e dois idosos indígenas morreram nos últimos meses no município de Tapauá sem que tenham recebido a assistência adequada, de acordo com denúncia feita por Valdimiro Farias da Silva Apurinã, coordenador da Federação das Organizações e Comunidades Indígenas do Médio Purus – Focimp. Segundo a denúncia, no dia  06/03/2013, Ana Clara Farias Da Silva, criança de cinco meses de idade faleceu, acometida por vômito e diarreia. No dia 14/02/2013, na aldeia São João, na Terra Indígena do mesmo nome, morre Mocinha Souza Da Silva, idosa, vítima de diarreia e desnutrição.
“No dia 18 de janeiro passado o senhor João Zeca Da Silva Apurinã, idoso e forte, veio a falecer repentinamente com febre, devido a um arranhão num prego e a comunidade até agora está assustada com sua morte repentina”m relata Valdimiro Apurinã em documento encaminhado à coordenação regional do Conselho Indigenista Missionário – Cimi, Regional Norte I (AM/RR). Ele cita ainda o caso de uma criança que nasceu morta, filha de Ana Lúcia da Silva, no dia  12 de fevereiro.
Além desses fatos, o dirigente da Focimp está solicitando da coordenação local da Fundação nacional do Índio – Funai, a substituição de dois guardas de segurança que estariam agindo de forma preconceituosa e desrespeitosa contra os indígenas. “Os seguranças não têm o perfil adequado para trabalhar com as populações indígenas, pois os mesmo não respeitam os indígenas, tratam os nossos parentes com desprezo e preconceito”, reclama Valdimiro Apurinã em ofício à Funai, apontando ainda outras irregularidades praticadas pelos seguranças, dentre as quais a ausência dos postos de trabalho e interferência na organização indígenas.
Além dos relatos dos óbitos, os indígenas apontam os seguintes problemas decorrentes do precário atendimento à saúde: inexistência de polos-base, poucas ações nas comunidades por parte da equipe multidisciplinar, falta de capacitação dos conselheiros que atuam no controle social, aumento dos casos de malária, inexistência  de um sistema de saneamento básico e abastecimento de água potável por meio de poço artesiano, prejudicando sobretudo  as crianças que sofrem com disenteria e outras doenças de veiculação hídrica.
As denúncias encaminhadas pelos indígenas serão levadas pela assessoria jurídica do Cimi Norte I à Procuradoria da República no Amazonas. No dia 10 dezembro do ano passado, como parte das atividades do Dia D da Saúde Indígena, organizado pela 6ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal, as frequentes denúncias feitas pelos indígenas ao MPF  resultaram em três ações civis públicas e  15 recomendações a diversos órgãos e municípios do Amazonas.

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