LIDERANÇA MURA SOFRE AMEAÇAS POR DEFENDER DEMARCAÇÃO DE TERRA

Fazendeiros e posseiros dos municípios de Autazes e Careiro, no Amazonas, estariam ameaçando de morte Luciano Oliveira dos Santos, tuxaua da comunidade Sissaíma, localizada no rio de mesmo nome, no município do Careiro. A denúncia foi feita durante realização de Oficina de Formação Jurídico- Política, promovida pelo Conselho Indigenista Missionário – CIMI, no último final de semana naquela comunidade.
Luciano Oliveira dos Santos é tuxaua, Agent

e Indígena de Saúde – AIS, e membro do Conselho Distrital de Saúde Indígena. “Eles não falam diretamente para mim, mas para pessoa do meu povo, dizendo que vão me matar e que minha cabeça está no valor de R$ 500 mil”, diz ele.
O motivo dos conflitos e ameaças é a demarcação das terras indígenas. Em 2008 foi feito levantamento para identificação e delimitação e, agora, os indígenas aguardam pela demarcação, que deve ser feita por meio de Portaria editada pelo Ministério da Justiça. No dia 19 de abril passado o Ministério Público Federal moveu Ação Civil Pública para agilizar a demarcação das terras indígenas Murutinga e Ponciano e, como conseqüência, a Justiça Federal determinou, em caráter liminar, que a  Fundação Nacional do Índio – Funai, e à União  Federal  concluam o processo demarcatório daquela terra indígena.
A reação dos fazendeiros contra a demarcação das terras dos Mura aconteceu em outubro do ano passado. No dia 25 daquele mês o Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro (Nação Mestiça) e a Associação dos Caboclos e Ribeirinhos da Amazônia (ACRA) protocolaram na Funai, em Brasília (DF), ofício contestando laudo que embasa a demarcação dos territórios indígenas nos municípios de Autazes, Careiro, Careiro da Várzea e Manaquiri, no Estado do AM.
“A gente nunca temeu de estar no nosso rio porque fazendo a viagem da saúde indígena eu tenho que estar andando com meu paciente. Graças a Deus nunca aconteceu nada, mas todos ficamos muito preocupados com as ameaças que partem dos criadores e invasores das nossas terras”, diz Luciano Mura. Ele acrescenta que tentaram manter diálogo com os fazendeiros e na ocasião foram ameaçados.
Saúde e educação – Os moradores da comunidade Sissaíma dizem que eles tem assistência
mas não de forma diferenciada, como deveria ser. Eles recebem regularmente a visita de uma equipe multidisciplinar, que fica no Polo Base da aldeia Murutinga. O atendimento à saúde é feito uma vez por mês por uma enfermeira e outros  técnicos.
Na opinião dos indígenas o serviço melhorou bastante se comparado com anos anteriores. “Em 95 nós fomos muito maltratados pela malária. Era a doença que  afetava a aldeia. No ano de 1989 o povo daqui foi todo para Autazes, não ficou ninguém porque a malária afetou todo mundo”,  Conta Luciano Oliveira.
No tocante à educação a maioria considera de péssima qualidade. “O grande problema que nós temos na educação é o não reconhecimento, por parte da Prefeitura, dos professores indígenas. A Prefeitura não nos reconhece como indígena e, por causa disso, não temos direito a escola diferenciada”, relata Luciano Oliveira. Segundo o tuxaua da aldeia Sissaíma, eles foram obrigados a retirar os indígenas das escolas devido ao preconceito dos alunos não indígenas. “Eu tive dois primos agredidos. Um foi espancado e o outro acabou caindo no rio devido ao mau tratamento no barco”, relatou Luciano Oliveira.
Na escola, que funciona em um barracão, estudam 27 alunos do ensino fundamental e 17 do programa de Educação de Jovens e Adultos – EJA.

Comments