Turistas causam transtornos a comunidades do povo Maraguá

Em documento encaminhado ao Ministério Público Federal, lideranças dos indígenas do povo Maraguá denunciam invasão de sua terra por pescadores e empresas de turismo que promovem passeios de barco na região do rio Abacaxis (afluente margem direita do Rio Amazonas, entre o Rio Madeira e o Rio Tapajós). “Nesse mês de agosto aparecem muitos turistas. Eles chegam a qualquer hora, o banzeiro provocado pelos barcos grandes quebram as canoas que ficam na beira do rio, nós perdemos produtos, enfim, essas pessoas levam tudo o que encontram pela frente”, relata Everaldo Costa de Araújo Apé, da aldeia Terra Preta. “Uns vão para pescar, mas soltam os peixes. Outros vão mesmo para explorar nossa área”, acrescenta.

Em assembléia realizada nos dias 04 e 05 de agosto passado na aldeia Terra Preta, no rio Abacaxis, município de Nova Olinda do Norte (AM) – distante de Manaus cerca de 130 quilômetros-, os indígenas decidiram levar ao conhecimento do Ministério Público Federal um fato ocorrido com o tuxaua Eté. Segundo relato dos indígenas, ele chegou a ser ameaçado de morte por dois tripulantes de uma embarcação quando tentava manter contato para solicitar a saída do barco do local. Os indígenas não precisaram a data em que o fato ocorreu nem o nome da embarcação.

Além dos prejuízos causados pela prática de pesca esportiva na região, os indígenas denunciam a extração ilegal de madeira e areia. Eles relatam, ainda, ameaças promovidas por moradores da região sobre as quais recaem suspeitas de manterem plantação de maconha em suas propriedades. “Eles são perigosos e nos ameaçam constantemente, caso nós os denunciemos. Tememos o envolvimento de nossos curumins com esse mal que está cada vez mais próximo de nós”, dizem as lideranças dos Maraguá num trecho do documento encaminhado ao MPF. Os indígenas consideram que esses problemas persistem por falta da demarcação da terra.

Em junho de 2011, atendendo a reclamação dos Maraguá apresentada pelo Conselho Indigenista Missionário – Cimi, o MPF instaurou Inquérito Civil Público onde, entre outras providências, determinou à Funai que prestasse informações concretas acerca do reconhecimento da identidade étnica do povo Maraguá, bem como sobre a criação de Grupo Técnico de Trabalho para identificação da terra.

Em resposta, datada de 09 de julho de 2012, a diretora de proteção territorial da Funai, Maria Auxiliadora Cruz Sá Leão, informou que “diante do grande número de procedimentos iniciados em anos anteriores e do reduzido número de antropólogos que compõem o corpo técnico da CGID/DPT, decidiu-se por priorizar a conclusão dos procedimentos mais antigos antes de dar início a novos procedimentos”.

A pesca esportiva é amplamente praticada nos rios Rio Abacaxis, Sucunduri, Camaiú, Acari ou Aripuanã, todos na região do rio Madeira, no Amazonas. A atividade é facilitada pela ausência de mosquitos, pelas condições estáveis do nível dos rios que facilita a captura expressiva em quantidade de várias espécies, especialmente do tucunaré, segundo dizem os indígenas da região.

Os Maraguá são um povo até alguns anos atrás considerado como extinto. Atualmente, são cerca de 160 pessoas que habitam quatro aldeias localizadas na região do rio Abacaxis, entre os municípios de Nova Olinda do Norte e Borba.

Comments

  1. Caríssimo,

    lhe adicionei à minha lista de blogs. Aproveito para parabenizá-lo pelo seu excelente blog.

    Força. Bom trabalho

    Lindomar Padilha

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