Indígenas Mura realizam manifestação em Autazes neste sábado

Engrossando as manifestações que acontecem pelo Brasil afora no marco da comemoração dos 25 anos da Constituição Federal, o Conselho Indígena Mura (CIM) promove manifestação em prol da demarcação das suas terras e de políticas públicas nas áreas de saúde, educação e sustentabilidade. Neste sábado, 05/10, cerca de 400 indígenas de 25 aldeias dos municípios de Autazes e Careiro estarão participando da II Concentração do Povo Mura na cidade de Autazes – distante de Manaus 113 quilômetros.

“Educação, saúde, sustentabilidade: onde estamos, onde queremos chegar? E de quem teremos apoio?”. Essa é a palavra de ordem na concentração, segundo informa Maurício dos Santos, coordenador do CIM. As atividades começarão às oito horas com um café da manhã. Em seguida, os indígenas se reunião para ouvir o pronunciamento dos tuxauas e demais lideranças. À tarde, acontecerá o pronunciamento das entidades e organizações de apoio. O evento se encerrará às 15 horas com uma passeata pelas principais ruas de Autazes. 

A população Mura, de acordo com dados do Censo 2010 do IBGE, é de 12.479 indivíduos. Eles vivem em 59 terras indígenas nos municípios de Autazes, Careiro, Borba, Novo Aripuanã e Nova Olinda do Norte, Itacoatiara, Codajás, Manaquiri, Beruri, Manicoré e Humaitá. A situação das terras é a seguinte: Registradas 25; Homologadas 2; Declaradas 3; Identificadas 5; A identificar 6; Sem providencia 18. 

O anúncio da realização dos trabalhos de identificação das terras Murutinga/Tracajá, Ponciano, Sissaíma e Vista Alegre, perfazendo cerca de 40 mil hectares, localizadas em Autazes, Careiro da Várzea e Manaquiri, há cerca de três anos, provocou reação por de fazendeiros da região. Pelo menos oito indígenas receberam ameaças de morte. Outros denunciaram ao Ministério Público Federal em audiência realizada no dia 13 de setembro passado a destruição de suas roças, casas, suprimentos de água e outros bens, seja pela invasão de búfalos que fogem das fazendas, seja como reação violenta por parte dos ruralistas da região. 

Na II Concentração que se realizará amanhã em Autazes, os indígenas querem chamar a atenção para a falta de investimento nas áreas de saúde, educação e para a necessidade da demarcação das terras como solução para os conflitos fundiários. A primeira Concentração organizada pelo CIM aconteceu no dia 22 de setembro de 2011, também na cidade de Autazes. 

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