APRENDENDO E ENSINANDO UMA NOVA LIÇÃO

Os povos indígenas do Brasil tem razões de sobra para desejar a mudança do atual do governo ou, mais precisamente, nos rumos da politica indigenista oficial. Nunca, na história recente desse país, com governantes democraticamente eleitos, os povos indígenas de norte a sul sofreram tanta pressão e ataques aos seus direitos constitucionais.
Os dois governos de Dilma Roussef estão sendo desastrosos para as populações indígenas. As demarcações de terra estancaram em proporção inversa às ações judiciais para rever as terras já demarcadas e homologadas, a criminalização de lideranças, as violações de direitos por parte do Estado para implementação de obras públicas e os atentados praticados por milícias armadas contra aldeias e comunidades que resultaram no assassinato de mais de duas centenas de indígenas nos últimos dois anos – 235 ao todo, de acordo com levantamento publicado nos relatórios de violência publicados pelo Conselho Indigenista Missionário - CIMI.
O Estado brasileiro tem negado aos indígenas o direito à consulta prévia e informada sobre a realização de obras em suas terras em muitos casos, a exemplo do que aconteceu com as obras da hidrelétrica de Belo Monte e para a implantação do complexo hidrelétrico do Tapajós. A propósito, na região do Tapajós, o governo além de não ouvir os indígenas, usou a força para intimidar os Munduruku, levando a Polícia Federal, em novembro de 2012, a matar Adenilson Kiriixi.
É extensa a lista de apelos para os quais o Governo tem feito “ouvidos de mercador”. Nela se incluem as deficiências na educação escolar; as mortes decorrentes da precariedade na assistência, especialmente quando se trata de comunidades distantes dos centros urbanos e a ineficiência da Fundação Nacional do Índio (Funai) que, em muitos lugares, está em perfeita sintonia com os latifundiários e invasores de terra e de costas para a realidade dos indígenas.
Não há, portanto, como aplaudir qualquer governo que não se paute pela observação dos mais elementares direitos dos cidadãos e cidadãs. E os indígenas conhecem muito bem as consequências da não observância das leis.
Sabem, igualmente, que a fonte dos ataques aos direitos e à terra é a opção do atual governo em privilegiar o agronegócio sob argumento de que o setor tem sido responsável pelas divisas obtidas no exterior. Porém, na medida em que o setor cresce – nos últimos três anos os subsídios tem crescido na média de 20%-, recrudesce a violência para transformar os territórios sagrados das populações indígenas em mercadoria, em capital de giro para empreendimentos privados que abastece cada vez mais a fortuna dos 1% da população detentora da maior fatia da riqueza produzida no País.
Nas manifestações contra o “impeachment” em muitas cidades era possível ver indígenas mostrando que política não se faz com rancor e levantando a bandeira da legalidade em nome o bem maior que é a democracia – lição que o governo, seja lá quem for, precisa aprender, respeitar e praticar.

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