DESAPARECIMENTO DE COMERCIANTE REACENDE TENSÃO NO SUL DO AMAZONAS

O Conselho Indigensta Missionário – CIMI, divulgou nota alertando as autoridades quanto à possibilidade de reações hostis ao povo indígena Pirahã, que vive na região do rio Madeira, município de Humaitá, no sul do Amazonas. A nota se refere aos acontecimentos envolvendo o desaparecimento de uma comerciante da localidade cuja morte é atribuída aos indígenas, de acordo com relatos de familiares. O caso ainda está sob investigação policial. Diz o Cimi na nota:

O Conselho Indigenista Missionário – Cimi, Regional Norte I (AM/RR|), vem, publicamente, manifestar preocupação quanto ao clima de tensão e ameaças que pairam sobre o povo indígena Pirahã após o desaparecimento da comerciante Aldelena Carril dos Santos, conhecida na localidade como Alda Alecrim.
O desaparecimento da referida cidadã em circunstâncias ainda não esclarecidas e a dor dos familiares causa a todos profunda comoção.
Igualmente, causa-nos apreensão algumas manifestações exacerbadas de preconceito e vingança. O fato aconteceu na área rural do município de Humaitá (AM), no final de dezembro de 2016. A Polícia Civil de Humaitá está investigando o desaparecimento da comerciante. Servidores da  Fundação Nacional do Índio (Funai) já estiveram na área mas se espera do órgão presença mais  atuante no acompanhamento  das investigações. 
Na cidade de Humaitá, em dezembro de 2013, instalações de órgãos públicos de assistência aos indígenas foram depredadas e incendiadas por moradores  depois do desaparecimento e morte de três pessoas. A reação violenta de alguns setores da sociedade humaitaense foi alimentada durante semanas por pessoas influentes na cidade e declaradamente anti-indígenas.
Neste contexto é imperativo a presença das autoridades na área onde ocorreu o fato para evitar atos de violência de pseudo justiceiros, alimentados pelo preconceito e pela morosidade da investigação.
Episódios como aquele, de incitamento à violência e condenação publica sem a devida apuração rigorosa dos fatos, devem fazer parte do passado para que outros inocentes não sejam penalizados.
O Cimi Norte I defende a rigorosa investigação desse fato e espera das autoridades uma condução transparente e imparcial, bem como espera dos formadores de opinião do município de Humaitá a devida prudência na divulgação dos fatos para que a população não seja uma vez mais induzida a atos desnecessários de preconceito, vandalismo e violência.

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