PRESIDENTE DA FUNAI PROMETE OUVIR INDÍGENAS EM OUTUBRO

Está prevista para o próximo dia 28 de outubro, na aldeia Murutinga, município de Autazes (AM),

uma reunião do presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Franklinberg Pereira de Freitas, com lideranças indígenas  do Amazonas. A reunião foi marcada durante breve encontro com indígenas Mura na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), na manhã de hoje, 27/09, em Manaus.
O presidente da Funai fez uma exposição sobre gestão territorial na Assembleia Legislativa do Amazonas a convite do deputado Sinésio Campos (PT), por ocasião de uma sessão do Parlamento Amazônico. Na apresentação, Franklinberg destacou dois aspectos: as dificuldades do órgão em vista dos cortes orçamentários e algumas experiências de atividades econômicas desenvolvidas pelos indígenas que estão dando certo.
No entanto, a realidade das comunidades indígenas ficou fora da conversa com deputados.  Franklinberg não falou sobre demarcação de terras, sobre os conflitos que afetam a maior parte das comunidades indígenas do Estado e, sobre as condições das Coordenações Técnicas Locais (CTLs) da Funai – algumas paralisadas há vários meses, ele disse que “em breve voltarão a funcionar”.
Nas galerias, um grupo de aproximadamente 50 lideranças indígenas exibia faixas cobrando a demarcação das terras, funcionamento das CTLs e rejeitando o “marco temporal” – tese segundo a qual os indígenas só teriam direito a terra na qual estivessem efetivamente ocupando até 1988, ano da promulgação da Constituição em vigor.
Tanto a palestra aos deputados quanto a conversa reservada com os indígenas frustrou a expectativa da maioria das lideranças.  Jeremias Oliveira dos Santos, da aldeia Jacaré, do município de Careiro da Várzea disse que não pode tratar com o presidente da Funai sobre o desmatamento na região onde mora, bem como sobre outros problemas causados pela falta da demarcação da terra.
“Ficou apenas a promessa de reativação da CLT de Autazes”, disse Estélio Maria, tuxaua da aldeia Moyray. “Todos nós que viemos aqui vamos ter que esperar até a reunião em Murutinga”, concluiu.

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